quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Son House




Son House (1902-1988) tem o seu lugar não só na história do blues, mas em toda a história da música. Ele foi um grande inovador do estilo do Delta do Mississippi, juntamente com seus parceiros Charley Patton e o guitarrista Willie Brown. Son House tornou-se mais do que apenas uma influência para garotos brancos ingleses, mas também a principal fonte de inspiração tanto para Muddy Waters quanto para Robert Johnson. E até o final, Son House esteve dividido entre o sagrado e o profano. Nascido como Eddie James House Jr., algumas fontes dizem Eugene, em uma plantação entre as cidades de Lyon e Clarksdale, local que tem sido utilizado para a agricultura desde o século XVIII. Nesta época, antes da Guerra Civil e da abolição da escravatura, em 1865, proprietários de plantações do delta foram grandes compradores do trabalho humano. Depois que receberam a liberdade, os escravos mantiveram a espiritualidade e as tradições musicais narradas através do blues. Ainda assim, a música que surgiu a partir destes princípios comuns não foi abraçada por todos os negros, o blues do Delta pertencia aos mais pobres e analfabetos e muitos se tornaram artistas populares. O blues foi considerado tão vergonhoso que até mesmo os seus mais fiéis devotos frequentemente achavam prudente renegá-lo. A igreja e o blues não deveriam se misturar. Este foi um dilema ético que assombrou Son House por toda a sua vida já que ele começou a carreira como pregador no Mississippi e Louisiana.

Com 15 anos pregava o evangelho em Igrejas Batista de uma plantação à outra e sem se incomodar com uma guitarra até que completou 25 anos. E embora fosse apaixonado pela religião, nunca foi comprometido com uma carreira na igreja. De emprego em emprego, colheu algodão e coletou musgo nas árvores. Embora seu pai, Eddie House, e seus tios tivessem uma banda própria, Son House nunca optou pela música como opção profissional. Em uma entrevista para a ‘Guitar Player’, ele revelou: ‘Eu era muito fanático. Bastava colocar em minhas mãos um velho violão, para considerar que isso já era pecado’. Em 1926, após um romance que o levou a Louisiana, regressou a Lyon e estava pensando em voltar para a Igreja. Nessa época, ao fazer algumas caminhadas viu um bluesman local chamado Willie Wilson tocando guitarra com um pequeno frasco de remédio e ficou deslumbrado. Com um dólar e meio comprou uma guitarra e Willie Wilson ensinou-lhe como afinar de ouvido e James McCoy deu-lhe lições de como tocar, o resto ele aprendeu sozinho. E Son House passou a pregar o blues.

Son House não era simplesmente um produto da influência de McCoy ou das gravações de blues do grande Charley Patton, o seu estilo de guitarra era influência de outro modelo, Rubin Lacy. Naqueles dias, eram tempos difíceis no Delta do Mississippi, a bebida com a posse de uma arma era uma combinação letal. Em 1928, Son House foi enviado para uma fazenda penal por atirar e matar um homem em uma festa perto de Clarksdale. Depois de cumprir dois anos na prisão, foi libertado e foi-lhe ordenado a nunca mais retornar para Clarksdale. Ele seguiu para o norte. Em Lula, no Mississippi, ele conheceu seu herói, Charley Patton, e os dois tornaram-se como irmãos. Willie Brown juntou-se para alguns shows. Em 1930, representantes da ‘Paramount Records’ convidaram Charley Patton para uma sessão de gravação. Patton trouxe Son House, Willie Brown e a sexy e ardente cantora e pianista Louise Johnson e as gravações resultantes tornaram-se clássicos, ‘My Black Mama’ e ‘Preachin’ the Blues’ obras-primas do delta. Louise Johnson teria começado a viagem como namorada de Patton e voltou ao Mississippi como a namorada de Son House. Charley Patton morreu em 1933 e Son House ganhava a vida dirigindo trator e se apresentando com Willie Brown.

Ao longo do caminho ensinou a sua clássica ‘My Black Mama’ para os titãs do blues, Robert Johnson e Muddy Waters. Em 1942, gravou ‘Walking Blues’, ‘Special Rider Blues’, ‘The Pony Blues’ e ‘The Jinx Blues’ para a Biblioteca do Congresso. Em 1943 ele deixou o Delta. Ao contrário de Muddy Waters, que abriu caminho para Chicago em busca de fama e fortuna, a motivação de Son House em deixar o Delta era escapar do tédio da vida no Mississippi. Sozinho novamente, ele tomou o trem para Rochester, Nova York. Quando Willie Brown morreu em 1952, parou de tocar, abandonou o blues e se juntou novamente à Igreja. Em 1964, foi descoberto por devotos do blues e levado a sair da aposentadoria. Assinou contrato com a ‘Columbia Records’ que fizeram ressurgir as canções com a sua assinatura. Son House se apresentou em festivais de blues e faculdades, que o levaram até a Europa. Apesar de todos os elogios, ele continuou a ser um homem de fala suave e modesto. Em 1976, a sua saúde se deteriorou e mudou-se para Detroit para estar com a família. Posteriormente foi diagnosticado com Alzheimer e Parkinson que primeiro afetou sua memória e sua capacidade de recordar canções no palco e, mais tarde, as mãos que tremiam o que o levou a parar de tocar. E viveu assim por mais 12 anos. Morreu enquanto dormia. Morreu o último dos grandes cantores originais do Delta do Mississippi

Am I Right Or Wrong
American Defense
Country Farm Blues
Depot Blues
Levee Camp Blues
Low Down Dirty Dog Blues
Special Rider Blues
The Jinx Blues
The Pony Blues
Walkin Blues

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